Tempo de parar.

Pára de falar.

Pára de escrever o que sentes.

Pára de fingir que sabes, quando te perguntam “Porquê?”.

Nunca viveste o suficiente para saberes do que falam, nunca te responderam quando sangraste as palavras que tens cravadas no peito, os teus pensamentos são certezas absolutas sem fundamento.

Nunca foste o suficiente para alguém, nem encheste alma alguma daquela inspiração que faz crescer livros nas mãos dos poetas ou pincéis dançar nas telas de quem pinta o que ama.

És uma menina disfarçada de mulher.

És cobardia com véu de sorrisos e cartas de três folhas.

És silêncio gritante mascarado de boa educação.

És desespero com nome de independência.

És fortaleza de palha. E o vento sempre soprou forte no teu caminho.

És tu.

Só tu e mais ninguém.

Esse é o verdadeiro destino de todos os teus pensamentos, de todas as tuas aventuras, de todas as palavras que pintas no papel ou no ecrã.

E, por hoje, isso vai ter de chegar.

Porque, até hoje, sempre chegou.

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Princípio vs Fim

Não quero ser o nome de que te recordas, quando os olhos teimam em fechar;

Não quero ser palavra, seguida de ponto final, nas cartas que escreves ao coração;

Não quero ser a alma com quem sabes querer ficar a vida inteira.

Deixa o que vivemos, deixa as memórias no passado, onde elas sempre se sentiram em casa.

Quero, sim, ser o primeiro nome que te sai dos lábios quando o Sol te tocar, ao de leve, as pálpebras e te quiser segredar um “bom dia” ao ouvido;

Quero ser, sempre, o nome que começa todas as frases dos infinitos diálogos de amor que tens contigo mesmo (porque os outros não precisam de saber);

Quero ser aquela com quem queres fazer tudo aquilo que nunca fizeste (e experimentar de novo tudo o que já sabes gostar).

Para ti, quero ser princípio e nunca fim.

New freckles, old loneliness

Her gaze unconsciously landed on the mirror at her side.

These days, everytime she looked at herself there was something new to discover: a new beauty spot in her endless row of petite constellations, a faint wrinkle in the corner of her eye from laughing too hard, a chipped nail in an otherwise perfect manicure or the dark hair that keeps growing even though she tries her utmost best for it to stay short.

Whenever she had the time to loose herself in her own likeness, she ended up seeing much more than what meets the eye. And it was precisely in those little windows to her soul that she found an almost invisible shroud of loneliness.

The one thing unchanged throughout the years.

Most of the time masked in the word independence.

A feeling so her own that she couldn’t pinpoint exactly when it had started, when it was learnt or if it was ever going to disappear.

All she could do was wait for the desperate warmth and sparkle of her eyes to once again transform her image, as her brand new timid freckles waited to bring light to an otherwise plain sheet of pale skin.